Archive for the ‘Folclore’ Category

Vou lhe fazer uma pergunta que nunca fiz a ninguém!

03/09/2012

A pergunta…

Vou lhe fazer uma pergunta,

Que nunca fiz a ninguém!

Quatorze dúzias de gatos,

Quantos pares de unhas têm?

A resposta…

Estrelinha do céu,

Me seja testemunha!

Quatorze dúzias de gatos

Têm mil e quinhentos pares de unha!

Gosto muito desses versos, pois eles misturam matemática, poesia, cultura popular e uma pitada de biologia. Faz um bom tempo que os decorei, eu ainda era criança. Eles me foram ensinados ou  pelos meus tios ou pelos os meus avós. Eles eram ditos em duas partes. Primeiro fazíamos a pergunta. Esperávamos as respostas de quem estivesse por perto, então recitávamos a nossa resposta apontando para o céu para dar mais “veracidade” ao que era dito. Era divertido.

O resultado final desse “folclore matemático” é uma estimativa bem próxima do valor exato. Pois, parece (não tenho certeza dessa informação) que os gatos têm 4 unhas em cada pata traseira e 5 em cada dianteira, totalizando 18 unhas, ou 9 pares delas. Portanto, 2 gatos terão 18 pares de unhas, 10 felinos resultam em 90 pares, logo uma dúzia desses animais têm 108 pares de unhas. Como 4 e 10 dúzias resultam respectivamente em 432 e 1080 pares, pode-se  concluir que quatorze dúzias totalizam 1512 (432+1080) pares de unhas.

Esse texto é pra comemorar o dia do folclore ocorrido em 22/08/2012.

Até o próximo artigo.

Versos da benzedeira

07/11/2011

Outro dia, em casa, estávamos coversando sobre as antigas benzedeiras que curavam as doenças do povo com rezas, simpatias, defumações, garrafadas, banhos de mato e chás de plantas.

A senhora que trabalha conosco lembrou de uns versos antigos sobre benzedeiras. Achei eles tão engraçados e criativos que resolvi resgistrá-los aqui:

Te benzo curicaca

Desta vez tu não escapa

Com remédio da botica

Desta vez tu estica.

Em tempo: não sei se todos sabem (eu não sabia) que botica é uma pequena farmácia; e curicaca é um tipo de pássaro.

A Barata diz que tem…

04/11/2011

Faz um tempinho que canto a música da barata para a minha filha. No início, só lembrava que a “barata dizia ter uma cama de cristal, mas dormia no quintal” (essa parte tá na cor laranja, abaixo). Encontrei as estrofes que estão na cor azul nessa página da Internet.

Depois uma coleguinha do meu filho falou sobre o perfume da avon. E uma senhora de 70 e poucos anos cantou a estrofe da farinha. Essas partes estão na cor verde.

Por fim, descobrimos o vídeo-clip da Galinha Pintadinha no youtube. Ele tem algumas estrofes diferentes além de ser bem animado. Confiram o vídeo no fim do texto.

Acho que essa música deve mudar conforme a região do Brasil. Então se você souber de alguma estrofe diferente, por favor, deixe-a nos comentários que a adicionarei com prazer na música.

A Barata diz que tem sete saias de filó
É mentira da barata, ela tem é uma só
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela tem é uma só !

A Barata diz que tem um sapato de veludo
É mentira da barata, o pé dela é peludo
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, o pé dela é peludo !

A Barata diz que tem um sapato de fivela
É mentira da barata, o sapato é da mãe dela
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, o sapato é da mãe dela

A Barata diz que tem uma cama de marfim
É mentira da barata, ela tem é de capim
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela tem é de capim

A Barata diz que tem um anel de formatura
É mentira da barata, ela tem é casca dura
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela tem é casca dura

A Barata diz que tem o cabelo cacheado
É mentira da barata, ela tem coco raspado
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela tem coco raspado.

A barata diz tem uma cama de cristal
É mentira da barata ela dorme é no quintal
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela dorme é no quintal
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela dorme é no quintal

A barata diz que usa o perfume da avon
É mentira da barata ela usa é detefon
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela usa é detefon
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela usa é detefon

A barata diz que só toma sopa de galinha
É mentira da barata ela mal come farinha
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela mal come farinha
Ha, ha, ha, ho, ho, ho, ela mal come farinha

Hoje é domingo

17/07/2011

Hoje é domingo do pé do cachimbo;

Cachimbo de ouro que bateu no besouro;

Besouro de prata que bateu na barata;

Barata de linha que bateu na galinha;

Galinha valente que bateu no tenente;

Tenente que dormiu e acordou doente com dor no dente.

Alguém lembra do texto acima? Ele fez parte da minha infância, lá em Santarém. Talvez tenha feito parte da sua também. Eu o aprendi através da tradição oral com os meus pais. Não, acho que foram com os meus tios! Ou teria sido com meus avós? Não importa. O importante é que esse conhecimento além de me divertir, pois gostava das rimas; também instigava a minha curiosidade, pois eu me perguntava quem tinha inventado aqueles versos? Nunca fiquei sabendo a origem deles. Mais tarde aprendi que esse tipo de conhecimento faz parte do nosso Folclore e vai sendo modificado conforme vai passando de geração para geração.

Era outro tempo, sem Internet, sem celulares, com pouquíssimos vídeo-games, e poucos desenhos animados. Eu gostava muito quando os adultos recitavam esses tipos de versos e tentava decorá-los. Quem conseguia tal façanha, era tido como muito inteligente pelos “mais velhos”. Isso de certa forma ajudava no desenvolvimento de habiliades como memória e concentração das crianças daquela época, pois nós tínhamos que nos concentrar, prestar o máximo de atenção. A criançada se concentrava tanto que chegávamos a “ouvir” com os olhos e “ver” com os ouvidos, enquanto nossa imaginação montava as imagens dos versos. Hoje tudo é muito rápido, colorido e cheio de sons. As crianças mal conseguem se concentrar em uma única atividade, mal começam um jogo, já mudam para outro porque enjoaram do anterior. As crianças acabam não absorvendo a cultura de seus antepassados, mas sabem qual é a última moda da TV ou da Internet.

Na correria do dia-a-dia, eu já esqueci muita coisa que me ensinaram quando eu era criança. A partir de agora sempre que lembrar de alguma coisa desse conhecimento que passa de pai para filho, vou registrá-lo aqui na  Maloca.

Quando lembrei desses versos no trabalho, os meus colegas conheciam uma outra versão que eu não conhecia. Imagino que cada região do país deve ter uma ou várias versões deles, por isso convido a todos a colocarem nos comentários a versão que conhece. Não esqueçam de mencionar a sua cidade e o Estado.

Tenham um excelente domingo. (Do pé do cachimbo é claro! 😉 )


%d blogueiros gostam disto: